Desafios financeiros do envelhecimento – cuidados de saúde

Nas últimas semanas deparei-me com um problema de saúde grave com um dos meus pais (uma das razões pela qual não tenho atualizado tanto este blog). Isto foi um problema que me preocupou por diversas razões e uma delas foram os problemas financeiros que se levantaram quando começamos a falar do futuro dos meus pais. Eu sei, isto parece frio, mas sendo este um blog de finanças pessoais, vou focar-me nos desafios financeiros que encontrei no que diz respeito ao envelhecimento dos meus pais.

Antes de iniciar, tenho de agradecer à empresa que “salvou” a vida ao meu familiar, a Geridoc. Liguei-lhes pela primeira vez eram 21:30 e menos de uma hora depois o médico estava lá. Foi o melhor serviço de médico em casa que tive a felicidade de encontrar e que hoje acompanham os meus pais. Felizmente têm um plano de associado dedicado a geriatria que me permitiu investir na poupança futura de consultas médicas. Mas os maiores problemas não estão nos serviços médicos…

Todos vamos envelhecer. Não temos como fugir a isso. Feliz e infelizmente, todos nós vamos passar, espero eu, por um envelhecimento saudável, monitorizado com serviços de saúde cada vez mais avançados. Mas mesmo com o avanço tecnológico existe um problema que persiste… numa sociedade cada vez mais envelhecida, em que trabalhamos até mais tarde (atualmente são 65 anos), a cultura de “tomar conta dos pais” começa a desaparecer. O mercado não hesitou em mostrar-nos soluções, mas, infelizmente, elas não são para todos os bolsos.

Tenho origem numa família humilde, com uma reforma baixa, e preocupo-me com o envelhecimento dos meus pais. Quero que eles tenham qualidade de vida e sei que se ficarem em casa sozinhos estão expostos a riscos que se podem revelar fatais. Mas mesmo que, até uma certa idade, possam viver sozinhos, existe o problema do controlo da medicação, visto que os meus pais são pessoas muito “teimosas” e que dificilmente seguem à risca os cuidados indicados pelos médicos. Então eu procurei por soluções…

Solução #1 – apoio em casa

Chamam-se os serviços de apoio domiciliário, e existem em todo o país. Prestam serviços em base horária ou diária. Podem fazer blocos de pequenas horas umas vezes por semana ou então blocos completos de 24 horas. Pareceu-me ser uma solução viável, mas os preços por hora são elevados. Isto levanta um problema:

  • Se por um lado posso contratar uma pessoa “freelancer” que me faz um preço mais baixo…
  • Por outro lado a empresa dá-me garantias no processo de recrutamento e tem tudo em ordem no que diz respeito a seguros e formações aos cuidadores.

Acabei por contratar umas horas a uma empresa, que vai visitar os meus pais algumas vezes por semana… mas esta solução tem um custo de 6€ por hora. Visto que são cerca de 3 horas de cada vez, 4 vezes por semana (aos fins de semana eu estou disponível), isto traduz-se num valor médio de 288€ por mês.

O valor não é elevado, mas este serviço é apenas umas horas por semana. Se fosse 24 horas por dia, os valores poderiam ascender aos 2600€ mensais, com aquela empresa.

A juntar ao custo da medicação e das suas despesas, a reforma dos meus pais não chega para pagar este valor… no entanto, tanto eu como os meus irmãos oferecemos de bom grado este serviços aos meus pais. Sabemos que eventualmente iremos precisar de recorrer ao serviço de 24 horas por dia, pelo menos durante os dias da semana, mas será que teremos as capacidades financeiras de despendermos mais de 600€ cada para cuidar dos nossos pais?

Imagino em famílias com um filho apenas, em situações semelhantes. Muito dificilmente existem condições para despender 2600€ num serviço do género.

Solução #2 – lares de idosos

Já sabem que sou uma pessoa que planeia à frente. E por isso mesmo fui investigar os valores para a localidade dos meus pais para a sua institucionalização eventualmente, numa altura em que sejam mais dependentes. Apesar de ter ficado satisfeito com todas as instituições que visitei, o preço é igualmente um problema. Nas melhores das hipóteses, ter os meus pais no mesmo lar custaria à família cerca de 1900€. No entanto, isto já inclui despesas de consumíveis, alimentação, etc. O valor da reforma vai poder ir na totalidade para o lar e para a farmácia.

Consultei toda a informação na Segurança Social aqui da zona e cheguei à conclusão que os meus pais não se qualificam para ajudas financeiras, devido ao património que eu e os meus irmãos detemos. Compreendemos perfeitamente a situação e achamos justa, mas ao mesmo tempo não nos esquecemos… quantas pessoas existirão em Portugal sem direito a ajudas, sem que os filhos mostrem o mínimo interesse em ajudar financeiramente?

Conclusão

No meu caso específico, no que diz respeito à qualidade de vida dos meus pais, não vou olhar a meios para fazer o melhor investimento possível na sua qualidade de vida… pousa-se um problema: e os restantes milhões de famílias, estarão todas na mesma posição que eu?

Estará o estado Português em capacidade de ajudar estas famílias e providenciar-lhes os cuidados que elas precisam?

Fica a questão… aguardo o vosso feedback. Obrigado!
José Figueiredo

 

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José Figueiredo

O meu nome é José Figueiredo e sou um ávido apreciador de finanças e economias. Criei este blog com o intuito de partilhar as minhas ideias sobre os cuidados a ter com as contas da casa e temas relacionados: poupanças, investimentos, entre outros... Para saber mais sobre mim, consulte o meu perfil pessoal ou a minha lista de influências.

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